Citação (1)
"Assim, Köves passou a viver a tortura de uma eterna e incessante insegurança: praticamente todos os dias ele produzia um ou outro texto, ora mais longo, ora mais curto, que, do ponto de vista estilístico e hermético, aparentemente pleno de sentido, procurava, na medida do possível, adaptar ao modelo fornecido pelo redator-chefe, ou seja, corrigia e reescrevia até que finalmente nem ele próprio o entendia, porque, enquanto entendia, podia ver que o texto não tinha nenhum sentido, conseqüentemente não podia ser bom; para ser mais exato, não poderia corresponder à sua finalidade, da qual, naturalmente – e talvez aqui estivesse a raiz do problema –, o próprio Köves não esta muito ciente; porém, quando os textos ficavam prontos, Köves não conseguia definir se no final das contas eles eram funcionais, porque já não os entendia, e menos ainda a que propósito eles serviam". (pág. 270)
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Imre Kertész, em "O fiasco"
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